Ação

A transmissão viral acidental do paciente ao profissional da área da saúde está sujeita a três condições: que o paciente esteja infectado com o vírus; que o Acidente de Exposição Sanguínea ocorra; e que a carga viral transmitida seja suficiente para infectar o profissional da área da saúde.

Para compreender a eficácia da luva G-VIR® em caso de perfuração acidental, dois conceitos distintos devem ser descritos. O primeiro é baseado em um específico “mecanismo de ação” que ocorre quando a película é rompida. O segundo está relacionado com o desempenho biológico sobre o vírus envelopado, como o HIV e o HCV.

Mecanismo de Ação
Sistema de esguicho desinfetante

O mecanismo de ação da luva G-VIR® aumenta a quantidade de líquido desinfetante disponível no ponto de rompimento.

1º Passo
Imobilização: a agulha deforma a primeira
camada sem perfurá-la, e a pressão aumenta na camada central.
2º Passo
Concentração: sob o efeito da pressão, as paredes entre as microgotas se rompem e o líquido se concentra no ponto de contato.
3º Passo
Esguicho: avançando, a agulha finalmente rompe a camada exterior.
O líquido desinfetante é então expelido sob efeito da pressão.

Ele é baseado em um fato comum: quando uma laranja é descascada, os poros da pele do fruto induzem o líquido sob pressão, que pode ser esguichado a uma distância de vários metros. A energia elástica da deformação é convertida em pressão exercida sobre o fluido. Isto permite que o líquido seja projetado.

Como resultado, as propriedades de cada camada da luva foram ajustadas (propriedades viscoelásticas, taxa de enchimento, tamanho de microgotas...) para lembrar a estrutura de uma casca de laranja e obter o efeito expulsão do líquido desinfetante sob pressão do instrumento no momento da ruptura da camada exterior. Em maio de 2004, este mecanismo próprio foi publicado no periódico Nature Materials (P. Sonntag et al., Biocide squirting from an elastometric film, 2004, 3, No. 5, 311-315).

O mecanismo pode ser explicado em três etapas, ilustradas abaixo, em caso de acidente com agulha oca.

 
Antes   Depois
Um simples teste colorimétrico ilustra a expulsão do desinfetante no interior e em volta de objetos que podem causar lesão. Este teste consiste na colocação de um agente corante sensível ao desinfetante na ponta da agulha oca e observando a alteração de cor imediata após a passagem da agulha pela luva, como se observa abaixo.
 
1º Passo
Contaminação por agulha oca 22G.
  2º Passo
Fixação da agulha no aparato de perfuração.
     
 
3º Passo
Perfuração da luva G-VIR® ou controle, “luva branca” (mesmo material, mesma espessura da G-VIR®, mas sem desinfetante) e recuperação do inóculo transmitido em meio coletor.
  4º Passo
Amostra do meio coletor.

Desempenho Biológico

Para compreender melhor a eficácia da luva, as condições específicas ocorridas durante um acidente percutâneo devem ser explicadas. Primeiro, o volume de sangue que pode ser inoculado é extremamente baixo (aproximadamente 1/10 de um microlitro em caso de perfuração por agulha de 22G de diâmetro). Além disso, mesmo se o paciente apresentar uma alta taxa viral (vários milhões de cópias por mililitro), o número de vírus potencialmente transmissíveis permanecerá muito baixos (cerca de cem, ou no máximo, algumas centenas).

O HIV e o HCV são vírus envelopados, conhecidos por serem altamente sensíveis a componentes com poder detergente, em particular amônios quaternários (os principais ingredientes em líquidos desinfetantes). Sabe-se que a ação de detergentes sobre a parede fosfolípide destes vírus é extremamente rápida (Lasch, J, Interaction of detergent with lipid vesicles. Biophys. Acta, 1995, 1241, 269).

5º Passo
Após a incubação, contagem do número de vírus transmitidos.

Nestas condições de teste, uma redução média de 80% no número de vírus transferidos foi observada, usando uma luva cirúrgica de espessura igual (“luva branca”) como padrão. (F. Bricourt et al., Virus-Inhibiting surgical glove to reduce the risk of infection by enveloped viruses, Journal of Medical Virology, 2003, 69, 538-545).

Em resumo:
A eficácia da luva G-VIR® é resultado da interação entre:
  • Espessura (resistência mecânica superior).
  • Esguicho: o mecanismo singular da luva garante uma concentração e subseqüente liberação de líquido desinfetante no momento do impacto causado por uma perfuração ou corte na luva.
  • A quantidade real de líquido desinfetante liberada é suficiente para neutralizar o sangue infectado (do paciente) no caso de acidente percutâneo.
  • A ação rápida do agente ativo (amônios quaternários) do líquido desinfetante sobre a membrana fosfolípide dos vírus envelopados (presentes no sangue).
 
 
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